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  O AMARGO VIRA DOCE. √Č A FRUTA MIRACULOSA

Do Jap√£o √† Nova York, de Londres √† Finl√Ęndia, a grande experi√™ncia gustativa n√£o est√°, necessariamente, num restaurante. Pelo contr√°rio, a novidade pode at√© aparecer disfar√ßada sob as camadas de uma sobremesa extravagante ou rodopiando nas bordas de uma ta√ßa de coquetel, mas √© in natura, que ela impressiona.

A respons√°vel por tamanho furor √© essa frutinha a√≠ da foto. Ela nasce num arbusto oriundo de Gana, no oeste africano, e √© popularmente conhecida como ¬ífruta miraculosa¬í. Descoberta, em 1725, pelo explorador franc√™s conhecido como Chevalier des Marchais, a Synsepalum dulcificum, ganhou status de ¬ídroga¬í (perfeitamente legal, deixemos claro) dos sonhos de qualquer foodie. Sob influ√™ncia da frutinha, cujo sabor se assemelha a uma azeitona, muita gente anda experimentando uma nova, e doce, dimens√£o gastron√īmica.

Mas o que atrai os curiosos é o miraculin, uma proteína contida na fruta que, ao entrar em contato com a língua, engana as papilas gustativas. Assim, alimentos amargos e ácidos consumidos após a fruta se transformam em comidas doces. Mas não por muito tempo, pois o efeito do miraculin dura de 30 minutos a duas horas, dependendo do tamanho e do potencial do fruto.

¬íQuando voc√™ prova a fruta, fica mais atento a outras poss√≠veis mudan√ßas na degusta√ß√£o. A textura da banana, por exemplo, muda depois do miraculin. A ma√ß√£ tamb√©m fica mais doce, pois tem √°cido. √Č uma experi√™ncia diferente¬í, conta Don Lee, gerente de bebidas e bartender do bar Please Don¬ít Tell, em Nova York.

Lee provou a fruta pela primeira vez h√° dois anos, quando trabalhou como barista na festa de uma revista. ¬íAntes, as pessoas desprezavam a fruta, dava para encontr√°-la at√© de gra√ßa. Hoje, uma √ļnica berry pode custar at√© dez d√≥lares¬í, conta o bartender, que agora consome a miracle fruit apenas de vez em quando, com os amigos, para tentar fazer combina√ß√Ķes com drinques. ¬íAinda n√£o tenho uma boa receita de coquetel com a fruta, pois ela transforma a acidez do √°lcool em algo doce, ent√£o voc√™ n√£o percebe a qualidade do produto.¬í

Enquanto ainda n√£o √© comercializada oficialmente, a fruta pode ser encontrada em Nova York nas flavor trippings - festas/degusta√ß√Ķes promovidas sem periodicidade definida -. ¬íUma mesa com v√°rios ingredientes fica dispon√≠vel, e as pessoas provam enquanto o paladar est√° sob efeito do miraculin. Tem de tudo: lim√£o, vinagre, pimenta tabasco...¬í, descreve Don Lee. Quem por acaso quiser prolongar o efeito da berry - isto √©, comer outra -, pode pagar at√© mais US$ 20.